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domingo, 14 de janeiro de 2018

Cuba é mesmo como dizem?

Certamente Cuba é um país que gera muita polêmica e acaba sendo motivo de discussões que tendem muito mais ao lado ideológico do que sobre o país em si, embora seja quase impossível falar sobre Cuba sem tocar no assunto do seu polêmico regime.

Quando viajei para Cuba, me lancei sem preconceitos e de peito aberto, como deve ser toda viagem verdadeira, conversando bastante com seus habitantes e buscando aprender o máximo sobre o país e as pessoas que lá vivem. Vale lembrar que viajar a um país não te faz adepto nem concordante de suas políticas. Se assim fosse, talvez eu só viajasse para a Suécia ou Canadá todos os anos (e eu nunca fui para nenhum dos dois, ainda).

O preconceito nos fecha numa bolha, e viajar é exatamente o oposto disso: é estar aberto ao outro e disposto a aprender o máximo com as diferenças e perceber que não existem verdades absolutas, e é extremamente importante ser tolerante a pontos de vista que não os nossos.

Este é um texto para ser lido sem paixões ideológicas. Aqui, tentarei relatar apenas o que vi e o que aprendi com os cubanos, emprestando um pouco dos meus olhos a você, leitor, para que possa sentir um pouco da experiência que tive e, através da mente, fazer a viagem que fiz in loco. Antecipo: a minha experiência por lá foi incrível e extremamente enriquecedora.


Inscrição numa das principais ruas do bairro do Vedado, em Havana - Viva Cuba Libre - Cuba é mesmo como dizem?
Inscrição numa das principais ruas do bairro do Vedado, em Havana

Antes de chegar a Cuba, eu tinha alguns receios com todo tipo de coisa, alguns até meio bobos, como por exemplo, se haveria água quente no chuveiro (eu odeio banho frio), se íamos conseguir usar a internet, ou se deslocar facilmente pela cidade. É bem verdade que o país é bem distinto de qualquer outro, e muitas coisas funcionam diferente, mas no fim das contas percebemos que, com suas qualidades e defeitos, Cuba é um ótimo lugar para se conhecer. E sim! Tem água quente, internet e é muito fácil se deslocar por lá.

Na nossa viagem, conhecemos 3 cidades: Havana, Cayo Santa María e Varadero. A primeira é a capital, rica em Cultura, História e onde mais podemos aprender sobre a vida das pessoas. As outras duas são praias belíssimas com resorts chiques, mas que te deixam um pouco distante da realidade da maioria dos cubanos.

Às vezes em Cuba falta até materiais de higiene básica. Então, para ir para lá, leve todos os sabonetes, shampoos, pastas de dente e até papel higiênico que for precisar, pois nem sempre é muito fácil de encontrar nas vendas. Ao ir para Cuba você também pode levar para a família que te hospedar ou para outros cubanos alguns itens básicos como pastas de dente, shampoo e até roupas e calçados que você não quer mais. Eles têm muita dificuldade para comprar determinados produtos, e um gesto simples como esse pode ajudar muito e com certeza vai deixá-los muito felizes e agradecidos.


Os cubanos são acolhedores?

Os cubanos adoram conversar e são bastante abertos a todo tipo de perguntas, inclusive sobre a vida deles e o que eles pensam sobre o regime socialista de lá.

Eu tinha a impressão de que eles seriam um pouco alienados, ou que não teriam muita informação sobre o que acontece de verdade no mundo. Me enganei. Além de muito cultos (todos têm acesso à educação), os cubanos têm plena consciência do regime em que vivem e o que acontece no resto mundo.

Em Cuba há muitas novelas brasileiras, e os cubanos as adoram. Uma ótima forma de quebrar o gelo com eles é falar das novelas. O fato é que os cubanos são muito alegres e sorridentes, como os brasileiros, e a maioria vai te tratar muito bem.

O outro lado da moeda é que nas ruas dos lugares turísticos o assédio a turistas é muito grande. Eles chegam de forma simpática, dando informações, mas no fundo querem te vender algo, ou conseguir algum dinheiro. É mais ou menos como no Pelourinho em Salvador (ou outros lugares turísticos por aí), porém sem o risco de ser assaltado (Cuba é um dos países mais seguros da América Latina). Isso é tão frequente que em determinado momento você tem que ter a cabeça no lugar para não se irritar. As melhores pessoas para se conversar e aprender algo são pessoas que já estão te prestando algum serviço, como taxistas ou garçons, assim, você já estará pagando pelos serviços, e eles não te pedirão mais dinheiro.

Conversando com um dos taxistas


Moedas

Cuba possui duas moedas ao mesmo tempo. O Peso Cubano (CUP) e o Peso Conversível (CUC). A primeira é a usada pelos cubanos no dia a dia, e a segunda é a moeda para troca internacional, ou seja, é a moeda usada pelos turistas. 1 CUC vale mais ou menos 1 Dólar Americano, mas se você for comprar CUCs com dólar, pagará um imposto de 13%, recebendo cerca de 0,87 CUCs. O ideal é levar Euro, que não possui taxas adicionais.

Com 1 CUC se compra cerca de 24 CUPs. E essa é uma das técnicas para tornar as coisas baratas para os cubanos. Quando você compra algo em estabelecimentos que vendem em CUPs, normalmente sai tudo muito barato, e quando você compra em CUCs, normalmente é até inviável para um cubano, mas relativamente barato para um estrangeiro.

Nos museus por exemplo, eles aplicam o mesmo preço para cubanos e para estrangeiros, mas para os primeiros, em CUP e, para os segundos, em CUC. Na prática, o preço para os cubanos é 24 vezes mais barato que para os estrangeiros.

Nos restaurantes turísticos, o preço é sempre em CUC. Estes restaurantes são extremamente caros para os cubanos. Nestes, um prato costuma variar entre 10 e 25 CUC. Procurando restaurantes (ou paladares) onde comem os cubanos, os preços são bem mais em conta. Encontramos um desses, e a minha conta, comendo um dos pratos mais caros, bebida e sobremesa, não passou de 4 CUC.

Um dos souvenirs que os cubanos mais gostam de dar espontaneamente são as notas de 1 CUP e 3 CUP, respectivamente com a efígie de José lMartí e Che Guevara. Mas tenha cuidado quando aceitar, pois eles podem te pedir dinheiro em troca, causando constrangimentos. Melhor aceitar de quem já esteja te prestando um serviço e recebendo por isso.

A entrada do museu custa 6 CUP para cubanos, mas 6 CUC para estrangeiros
Preços em CUP de um restaurante local. Para saber o valor em CUC ou dólar, basta dividir por 24


Como vivem os cubanos?

Sobre isso também existem os dois lados da moeda.

Não há fome nem moradores de rua em Cuba. As pessoas que não têm condições de ter uma casa moram gratuitamente em quartos de grandes residências construídas pelo governo, onde eles também têm 3 refeições por dia. Para o resto da população, todos têm direito a comprar todo mês em vendas do governo uma cesta básica por pessoa por valores subsidiados bem abaixo do valor de mercado. Essa cesta básica custa menos de 50 pesos cubanos (menos de R$ 4,50) e dá direito a comprar arroz, café, carnes, grãos, macarrão, ovos, açúcar, sal, pão e outros alimentos em pequenas quantidades por mês. As crianças recebem também leite em pó e iogurte de soja. Essa quantidade não é suficiente para que os cubanos tenham uma alimentação adequada. A diferença, eles precisam comprar em vendas normais a preço de mercado. Os doentes também ganham os remédios necessários.

Todos os cubanos têm acesso a saúde e educação de qualidade e gratuita. Para chegar à faculdade não é necessário vir de família rica, basta conseguir as notas necessárias para o que é exigido nos cursos. Há muitas universidades por todo o país e quando os estudantes vão estudar em outras cidades, ganham residência, alimentação e uma bolsa dada pelo governo. O outro lado disso é que a pirâmide lá é meio distorcida. Alguém que trabalha com serviços, como táxi ou turismo, costuma ganhar muito mais que alguém de nível superior. O salário mínimo em Cuba é de cerca de 9 dólares. Alguém com nível superior que trabalha para o Estado costuma ganhar entre 35 e 60 dólares por mês. Um médico ganha cerca de 60 dólares por mês e só pode trabalhar para o Estado (diferente de outras profissões onde é permitido trabalhar por conta própria ou para particulares). Por isso os médicos de lá adoram sair em missões, como o combate ao Ebola na África, ou o programa Mais Médicos no Brasil, entre outros, pois, apesar de pouco, eles ganham mais do que ganhariam em Cuba.

Para se ter uma ideia, uma corrida de táxi dentro da cidade, costuma custar cerca de 10 dólares. A viagem de táxi que fizemos de Havana para Cayo Santa Maria (5 horas de viagem) custou cerca de 280 dólares. Em um único dia, taxistas costumam ganhar mais que muitos cubanos num mês.

Vale lembrar também que Cuba é um país pobre em recursos naturais. Não produz grande variedade agrícola e também não tem grandes fontes de energias, como quedas d'água para construir hidrelétricas ou petróleo em abundância.



E como eles sobrevivem com tão pouco?

Para as necessidades básicas o governo subsidia muita coisa. Eles não gastam com saúde, medicamentos e educação. Alimentos, energia elétrica, telefone fixo, gás, água, transporte público etc. são subsidiados pelo governo e são muito baratos. Um dos taxistas me falou que se você usar muito ar condicionado todos os dias, a conta vem o que eles consideram bastante caro: 6 dólares por mês. Sem ar condicionado a conta não passa de 3 dólares. O telefone fixo também dificilmente passa de 1 dólar por mês. No ônibus comum que pegamos por lá, existe uma caixinha de moedas e você paga o quanto quiser. Normalmente as pessoas pagam o equivalente a 2,5 centavos de dólar, ou até menos.

Ainda assim, é preciso comprar outras coisas que vão além do básico, e aí é que entra o jeitinho cubano. Muitos cubanos acabam meio que fazendo pequenos "roubos" ao Estado para sobreviver. O exemplo que me deu um taxista é que, por exemplo, cubanos que trabalham numa fábrica de sapatos do governo, às vezes furtam um sapato para vender por fora, os que trabalham para uma fábrica de charutos, vez ou outra furtam uma caixa para vender a turistas por metade do preço de mercado. Eu vi isso de perto quando fui visitar a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, em Havana. Em todos os museus, quando compramos a entrada, recebemos um bilhete meio padronizado e com número de série. Neste, nós pagamos 6 CUC, e não recebemos o bilhete para entrar, e a mulher foi meio grossa, aparentemente para não fazermos perguntas. A intenção era clara: ela não entregava todos os bilhetes, e depois quando o governo viesse contar quantos foram vendidos, estariam registrados bem menos. O resto ficaria com ela e o guardinha comparsa, que nos deixou entrar sem os bilhetes.

Os cubanos costumam dizer que Cuba é o melhor lugar para se viver, mas com dinheiro. A verdade é que a vida para a maioria dos cubanos é bem difícil e a maioria deles ganha muito mal, embora tenha melhorado recentemente com o pouco de abertura econômica que eles tiveram. Tudo isso se nota pelo estado de conservação de muitas casas e pelo estilo de vida com sérias restrições orçamentárias. É bem difícil para um cubano prosperar com o esforço de seu trabalho. Em geral, não se passa fome, mas também não se tem muito conforto.



E o que eles pensam sobre a Revolução Socialista?

Fazendo um resumão de todas as pessoas com que conversei a respeito, a opinião deles é quase unânime: que a Revolução foi boa, porque tirou muita gente da miséria e deu educação e saúde gratuita e de qualidade para todos, mas já deveria ter havido uma transição econômica há bastante tempo, com mais abertura e liberdade econômica, para que cada um possa trabalhar como quiser, mas sem a perda dessas conquistas sociais.

Eles não são alienados e sabem muito sobre a sua própria situação e a do resto do mundo. Sabem sobre o regime em que vivem, sobre o que querem e têm opiniões sobre outros regimes. Adoram Obama por ter iniciado uma abertura econômica com Cuba que melhorou bastante a vida deles, ao mesmo tempo em que odeiam Trump por ter dado um passo atrás.


Mas então por que eles permitiram a Revolução Socialista?

Para entender isso, antes é preciso entender um pouco da História de Cuba.

Antes da Revolução, que ocorreu em 1959, havia um presidente ditador, Fulgencio Batista, que tomou o poder através de um golpe de estado. Durante seu mandato desastroso, ele revogou a maioria dos direitos políticos, incluindo o direito à greve e restabeleceu a pena de morte. Batista outorgou para si mesmo um salário anual maior que o do presidente dos Estados Unidos. Ele, alinhado com os latifundiários ricos que possuíam as maiores plantações de açúcar, presidiu uma economia estagnada que aumentou o fosso entre os cubanos ricos e pobres. O governo cada vez mais corrupto e repressivo de Batista começou a lucrar de forma sistemática a partir da exploração comercial de interesses em Cuba, através da negociação de relações lucrativas com a máfia americana, com drogas, jogos de azar, empresas de prostituição em Havana, e com grandes multinacionais com sede nos EUA.

Para reprimir o descontentamento crescente da população, que foi posteriormente demonstrado através de frequentes revoltas estudantis e manifestações, Batista estabeleceu a mais apertada censura dos meios de comunicação e, ao mesmo tempo, utilizou o seu Escritório de Repressão de Atividades Comunistas para levar a cabo em larga escala a violência, tortura e execuções públicas, matando muitas pessoas que se opunham ao seu governo. Durante vários anos até 1959, o governo de Batista recebeu apoio financeiro, militar e logístico dos Estados Unidos.

O regime de Batista foi derrubado em 1959 por um ataque de forças rebeldes comandadas por Fidel Castro, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Raúl Castro. Abandonou Cuba em 31 de dezembro de 1958, fugindo num navio com 40 milhões de dólares, exilando-se primeiro na República Dominicana, depois na Ilha da Madeira, em Portugal, e depois na Espanha, onde faleceu em Marbella, em decorrência de um infarto.

No início dos planos da revolução, os rebeldes eram apenas 13. À medida que o plano foi crescendo, foram conquistando mais adeptos, principalmente camponeses pobres, insatisfeitos com o regime de Fulgencio, até formarem um exército grande o suficiente para fazer triunfar a revolução.

Inicialmente, dizem que o movimento que derrubou Fulgêncio Batista não tinha caráter socialista. Após demonstrações dos Estados Unidos de que não aceitariam a nova realidade cubana, o governo revolucionário buscou apoio da União Soviética. A partir desse momento é que o socialismo começou a ser instalado na ilha caribenha.

Em resumo, para os cubanos o regime imposto por Fidel e companhia era melhor do que o que eles tinham antes. Se tivessem continuado nesse rumo, Cuba provavelmente hoje seria como outros países da América Central, como Honduras, Guatemala, El Salvador, Haiti ou Jamaica: com altos índices de violência e desigualdade social e baixos índices de desenvolvimento humano (IDH).



E a educação em Cuba?

Como citado anteriormente, a educação é universal e de boa qualidade e, para chegar à faculdade, não é necessário vir de família rica, basta conseguir as notas necessárias para o que é exigido nos cursos. Há muitas universidades por todo o país e quando os estudantes vão estudar em outras cidades, ganham residência, alimentação e uma bolsa dada pelo governo.

O índice de analfabetismo é de cerca de 0,02%. Todos que conversamos lá eram muito cultos e sabiam muito sobre vários assuntos. Muitos falam pelo menos uma segunda língua (a maioria inglês). Muitas pessoas mais velhas falam russo, o vendedor de amendoim falava italiano fluente, a garçonete de um dos restaurantes falava português. Segundo ela nos disse, além das línguas que se aprende na escola normal, o governo disponibiliza escolas de vários idiomas que qualquer pessoa pode se inscrever gratuitamente. Muita gente fala, além do inglês, francês ou italiano.

O primeiro táxi que pegamos, saindo do aeroporto e indo para a cidade, tinha como motorista um economista. O taxista com quem viajamos para Cayo Santa María era formado em Engenharia Eletrônica. Um dos garçons que nos atendeu era formado em Direito. Como dissemos anteriormente, a pirâmide por lá é distorcida, e muita gente com alto nível de estudos busca uma profissão mais rentável e que, estranhamente, exige menor qualificação.

Estudantes visitando um museu



Cuba tem liberdade de imprensa? Os Cubanos têm onde buscar informações de outros lugares e ter acesso a outras opiniões?

Mais ou menos. Os canais de televisão e os jornais são estatais e são bastante tendenciosos para o lado do governo. A TV a cabo é considerada subversiva e é permitida somente em alguns estabelecimentos, como alguns hotéis, por exemplo.

Tudo isso está mudando bastante com a internet. Os cubanos têm acesso à mesma internet que os estrangeiros e, pelos testes que fizemos, eles aparentemente têm acesso a todos os sites, assim como os brasileiros. Com isso, eles podem saber o que o mundo pensa sobre eles e como funcionam as coisas fora de Cuba. Conversando com os cubanos, é nítido notar que eles não são alienados e o conhecimento em Cuba não é restrito.

Clique aqui para ler o nosso post sobre como funciona a internet em Cuba.



Cuba é um lugar seguro?

Muito! Cuba é um dos países mais seguros da América Latina, talvez pelo alto índice de educação do seu povo e também pela intolerância do governo a qualquer tipo de crime, como tráfico de drogas, prostituição e assaltos.

Nós ficamos hospedados no lugar mais degradado da cidade, a Habana Vieja, comparável ao Pelourinho, em Salvador, ou à Luz, em São Paulo. Mesmo estando no lugar mais degradado, nós voltávamos caminhando de madrugada para casa, e não sentíamos nenhum perigo de violência.

Nas praças públicas, onde têm WiFi (veja mais sobre internet em Cuba aqui), várias pessoas usavam seus Smartphones sem medo de serem roubadas. Na escada da Universidade vimos um Notebook em cima de uma mochila sem o dono por perto. Passando de madrugada em frente a um beco, havia dois bares/restaurantes fechados e suas mesas e cadeiras ficavam tranquilamente do lado de fora. Ninguém roubava.

Nos diziam que por lá ninguém queria ser policial porque era uma profissão muito monótona. Nada acontecia.

Mesas e cadeiras na rua, de madrugada, sem ninguém olhando. Mas ninguém roubava nada.


Todas as casas são velhas e acabadas?

A maioria sim. Havana tem um clima bastante hostil, com ventos fortes e bastante maresia e salitre, além de furacões uma vez por ano. Tintas comuns de casas dificilmente resistiriam a um clima tão agressivo, e os cubanos não têm dinheiro para ficarem sempre repintando e reparando as fachadas destruídas.

Salvador também tem um clima bastante hostil, menos que Havana, é verdade, mas ainda assim hostil. Em Salvador, essa degradação foi resolvida em parte usando-se pastilhas nas fachadas dos prédios, e eu me perguntava sempre por que os cubanos não faziam os mesmo. É certo que uma fachada com pastilhas custa mais caro que uma fachada pintada, mas será que em alguns casos não valeria a pena?

Não conhecemos todos os bairros, mas o fato é que na maioria deles há muitas casas degradadas. Mesmo nos mais nobres como o Vedado, em Havana, você encontrará algumas casas em estado de conservação ruim.

Atravessando a Baía de Havana, é possível encontrar casas melhores do outro lado. O que aconteceu é que, com a revolução, os homens de mais alta patente do exército de Fulgencio Batista fugiram para outros países abandonando suas ricas casas. Muita gente com nível superior também decidiu emigrar*, principalmente para os EUA. Para convencê-los a ficarem, o governo os deu essas casas abandonadas pelos generais e companhia. Assim, esse bairro nobre e de bonitas casas hoje é povoado pelos filhos e netos dos médicos, engenheiros e advogados daquela época.

Cuba não tem favelas.

Os cubanos só têm direito a ter 2 casas como propriedade. Normalmente a casa onde vivem, em alguma cidade maior, e mais uma casa de praia/veraneio.

Com uma autorização do governo eles podem alugar quartos em suas casas e até uma casa inteira para turistas estrangeiros, e esta é uma ótima fonte de renda para eles. Para nós viajantes, esta é também a melhor forma de hospedagem, a que nos traz a experiência mais enriquecedora, com um contato mais próximo e conhecendo por dentro as casas onde vivem os cubanos.

*Os EUA, num ato político, passaram a incentivar a emigração de cubanos para lá. Os cubanos eram os únicos do mundo que, bastava pisarem em solo americano, ganhariam um visto. Muitos cubanos se lançaram ao mar, rumo à Flórida, em barcos precários em busca de oportunidades nos EUA. Com esse incentivo, os EUA queriam mostrar a um mundo em Guerra Fria que todos desejavam desesperadamente abandonar o país socialista.

Foto da sacada do quarto onde ficamos. A maioria das casas tinha estado semelhante ao dessas da foto. Algumas casas eram melhores que essas, outras piores.


Todos os carros são antigos?

Em Cuba notei carros de pelo menos 3 fases distintas.

A primeira são dos carros de antes de 1960. Carros principalmente americanos, a maioria grandes e estilosos. Encontra-se de tudo, bem e mal conservados.

A segunda, entre 1960 e 1990, possui apenas carros russos, principalmente da marca Lada.

A terceira fase é de carros modernos, atuais. A partir dos anos 2005 ou 2010, creio eu. Há muitos carros europeus, principalmente franceses como Peugeot, Renault e Citröen, coreanos como Hyundai e muitas marcas chinesas que eu nunca tinha ouvido falar (também há muitas marcas chinesas de Smartphones). Não vi carros americanos modernos.

Não lembro de ter visto modelos de carros do período entre 1990 e 2005. Acho que a economia fechada e o embargo econômico impediram que eles comprassem carros nesse período.

Nesta rua se vê um pouco da diversidade de carros existente por lá

Aqui temos exemplos de carros dos anos 50. Todos esses da foto funcionam como táxis.


Como é o táxi em Cuba?

Em Cuba há táxis por todos os lados, muitos deles. Andando pelas ruas vão te oferecer táxi o tempo todo. É uma atividade econômica que dá bem mais dinheiro que a média por lá. A maioria dos deslocamentos você consegue fazer por valores entre 5 e 15 dólares. Barato para a gente, bastante para eles.

Lá existem basicamente duas formas de ser taxista. Uma é possuindo carro próprio e tendo uma autorização do governo (normalmente os carros são velhos) e outra é entrando para a empresa de táxi do governo. Na empresa de táxi estatal você precisa passar por um processo de seleção e, sendo aprovado, o governo compra um carro moderno que fica em posse do taxista. A forma de trabalhar é uma escolha do taxista. Enquanto estiver com o táxi, ele tem que pagar 24 CUC por dia para o governo. Fora isso, o que ele produzir fica com ele.

Táxi que nos levou de Cayo Santa María a Varadero


Cubanos podem viajar?

É muito difícil para um cubano viajar, principalmente para fazer turismo. Não porque o governo cubano restrinja, mas sim os outros países.

É verdade que a maioria dos cubanos ganha pouco e não teria dinheiro para viajar. Mas para alguns, que trabalham com serviços principalmente, é possível juntar dinheiro e viajar para outros países, mas são poucos os que eles conseguem. O que acontece é que quando cubanos recebiam vistos de turismo para estes países, muitos deles fugiam e passavam a viver ilegalmente nestes países. Com isso, a maioria desses países fechou a portas e não permite mais a entrada de cubanos. Eles podem hoje viajar para países como a Guiana, a Rússia e talvez mais um ou outro.

Muitos acabam viajando a trabalho, morando um tempo em outros países, médicos principalmente. O engenheiro eletrônico que foi nosso taxista morou um tempo em Angola, na Espanha e na Venezuela, sempre a trabalho.


Religião

A religião majoritária por lá é a católica, mas como há muitos afrodescendentes, também é forte a presença de religiões afro, semelhantes ao Candomblé ou à Umbanda. A moça que vinha todos os dias fazer nosso café-da-manhã e arrumar os quartos, em Havana, era adepta de uma religião afro.

Ela nos contou que essas religiões eram perseguidas no tempo de Fulgencio Batista, que mandava matar os não católicos. Na Revolução Socialista, as religiões de origem africana também foram um pouco perseguidas no início, mas acabaram por ser aceitas. Ela conhecia Yemanjá, Ogum e os Orixás conhecidos na Bahia e no resto do Brasil.


Conclusão

Cuba é um país que passa por muitas dificuldades, mas é ao mesmo tempo um país bonito e interessantíssimo. Viajar de peito aberto e sem vergonha de conversar é a melhor forma de aprender sobre o seu povo e a sua cultura. A verdadeira Riqueza de Viajar está em romper as suas próprias barreiras e preconceitos para aproveitar ao máximo cada viagem e experiência. Termino este texto com uma citação de Amir Klink, que explica bem esse sentimento:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”




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24 comentários:



  1. Eu viajei com o Antônio e confirmo que a viagem realmente vale a pena, principalmente do ponto de vista da investigação social, já que esse é um assunto costuma ser fortemente afetado pelo viés de quem fala, seja qual for esse viés.

    Alguns complementos.

    Sobre o mal estado de conservação das casas, acho que tive uma impressão melhor que a do Antônio. Tirando Havana Velha, achei os imóveis em um nível de conservação externo razoável (boa parte similar ao nível das nossas Cohabs, mas muito melhor que nossas favelas e que as habitações deterioradas do Malecon).

    Talvez porque eu não compreenda o Espanhol, mas algumas coisas me ficaram controvérsias. Isso porque quem conta, mesmo vivendo o fato, também não escapa do viés.

    Um cubano nos contou que cubanos não podem ir aos resorts de Cuba. Mas em um resort nós vimos cubanos no check-in. Mas esses cubanos estavam com passaporte! Estranho... seria esse um dos ditos privilégios do pessoal d'O partido?

    Talvez o que tá no texto de que a maioria fala inglês seja exagerado. Acho que boa parte fala pelo menos uma outra língua, mas talvez em muitos casos não seja o inglês essa outra língua (o estudo de inglês na escola só foi difundido mais recentemente, após a abertura do turismo). Mas de qualquer forma, há mesmo cursos gratuitos de línguas acessíveis à população.

    Os cubanos reclamavam bastante da burocracia para conseguir visto para poderem ir a outros países. Contudo, não ficou claro se parte dessa burocracia é devido ao governo de Cuba ou aos outros países. Também não ficou claro se é mesmo tão mais burocracia do que nós temos para ir aos EUA.

    Uma moça disse que só as pessoas de famílias ricas iam para a Universidade, pois quem tá estudando não tem tempo de trabalhar e algumas pessoas tem que trabalhar para ajudar em casa. Uma vez que várias outras pessoas nos disseram que bastava ter "capacidade" para entrar na Universidade, provavelmente nesse caso a acepção de "rico" da moça seja um tanto diferente da nossa.

    Teria outras coisas pra falar, mas optei por destacar aqui as coisas que mesmo após uma verificação pessoal continuaram um pouco controversas. Embora o Antônio (e outros viajantes) possam discordar =)


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    1. Muito legais os comentários, Leonardo!

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    2. Esclarecendo algumas questões:
      Atualmente cubanos podem se hospedar em hoteis mas os preços são inviáveis para o cubano comum, esses cubanos com passaporte no check in, provavelmente moram fora de Cuba e portanto têm melhores condições.
      A universidade é para todos que conseguem as notas necesárias para ingressar mas não existem bolsas de estudo para cubanos, o governo da bolsas para estrangeiros de países pobres em convênio com os governos desses países. Quando eu fiz faculdade (1995-2000) tinha alojamento e alimentação gratis mas o resto da manutenção vinha do que meus pais podiam dar ou quando eu fazia alguns bicos aos finais de semana.
      A maioria dos cubanos não fala outra língua, embora tem o inglês (antes era russo) como disciplina desde o ensino médio mais ou menos desde os anos 80. Acredito que essa visão de que todos falam outra língua veem do contato com pessoas que trabalham ligadas ao turismo que realmente precisam falar outras línguas mas a população em geral não.
      Existem "favelas" em Cuba, não como as do Brasil, mas sim bairros sem infraestrutura nem planejamento, com casas construídas com qualquer material principalmente em áreas periféricas de Havana. São chamados de "llega y pon".
      Burocracia existe e muita, no caso de trámites relacionados a viagem ao exterior além da burocracia os trámites são muito caros e outra coisa que atrapalha é que depois de passar por toda a burocracia, pode não conseguir o visto. Porém existem alguns países (34 atualmente) para onde os cubanos não precisam visto.
      Um esclarecimento ao texto principal: As notas oferecidas, na verdade são vendidas, ninguém oferece de graça e são principalmente notas e moedas com a imagem do Ché e José Martí que não é nenhum santo (San)
      e sim o Heroi Nacional de Cuba desde as guerras de independência da Espanha.
      O bairro "mais nobre" (mais do que Vedado) é Miramar que fica ao Oeste da cidade (no extremo oposto à baia e que pode ter confundido a localização porque também chega por um túnel da mesma forma que passa ao outro lado da baia). É onde se localizam a maioria das embaixadas e também muitos hoteis e outras instalações turísticas.
      Tratamento em hospital é de graça, medicamentos não (embora sejam baratos mas muitas vezes faltam).
      Os 280 CUC na viagem para Cayo Santa María podia ter economizado uns 200 indo em taxis particulares.
      No início da revolução todas as religiões eram meio proibidas não só as africanas.
      Não existe liberdade de imprensa nem de expressão. Desconsiderando a internet (que nem todos têm acesso por causa do preço) todos os meios de comunicação oficiais são do governo e a mídia alternativa (não oficial) é considerada subversiva, proibida e perseguida pelo governo.

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    3. Obrigado por trazer a sua visão, Yannisd. Muito interessante!

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    4. Gostaria de ver um texto seu sobre lá.

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  2. Ah! Outro mistério que ficou... o Comitê de Defesa da Revolução. Em muitos lugares havia placas do CDR. Acabamos perguntando do CDR só uma vez, e essa foi praticamente a única pergunta sobre a qual aquele cubano desconversou...

    https://es.wikipedia.org/wiki/Comit%C3%A9s_de_Defensa_de_la_Revoluci%C3%B3n

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  3. Estive recentemente em Cuba e não soube ou tive informações assim tão categóricas. E olha que sou fluente em espanhol , conversava com todo mundo e perguntava sobre tudo. Na verdade, a impressão que tenho é que você leu a maioria dessas informações, ou em um guia ou na internet e escreveu o seu texto. No seu texto você afirma como se tivesse visto vivido é visto tais informações e como se tudo que informa fosse uma verdade absoluta. E, ao ver os comentários do Yannisd e do Leonardo, não me equivoquei. Como escreve um blog de viagens e as pessoas vão se informar no seu blog para viajarem, seria interessante que você colocasse referências e separasse o que leu do que teve informação por outros meios.

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    1. Olá, Amanda,

      O texto do blog é baseado completamente em impressões, resultado das conversas que tive com todo mundo e do que vi com meus próprios olhos, exceto a parte que fala da Revolução e do Governo antes da Revolução, que complementei o que ouvi com o que li a respeito.

      Também falo espanhol fluente, e talvez o que tenha feito mais diferença foi que fizemos duas grandes viagens (de mais de 5 horas) de táxi, com 2 taxistas cubanos diferentes, e também almoçamos com um deles. Nestas viagens extraímos muita informação. Obviamente também conversamos muito com a moça da casa que ficamos em Havana, garçons, taxistas dentro das cidades, entre outros.

      Por ser um texto sobre impressões, é óbvio que podem haver divergências, pois conversamos com pessoas diferentes que mostraram pontos de vista diferentes, certo? Mesmo quem vê a mesma coisa pode interpretar certos detalhes de maneira distinta. Isso é normal.

      Espero ter respondido aos seus questionamentos.

      Abraço

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  4. Caro amigo, as cidades que você conheceu foram só essas três (Havana, Cayo Santa María e Varadero)? Minha pergunta é porque essas cidades são cidades turísticas. Cidades as quais representam apenas o rosto, digamos, do país. Todos que vão a Cuba são unânimes em afirmar que nessas cidades tudo funciona, digamos, adequadamente. O que não ocorre no resto do país. O país de verdade, vamos dizer. Do ponto de vista turístico, é inegável que Cuba tem suas qualidades. Milhares de europeus, canadenses e americanos vão para a ilha todos os anos. O povo cubano é realmente agradável. Mas essas impressões que são tidas em viagens turísticas servem apenas como referencial turístico. Não nos dizem nada sobre as reais condições do país. Como referência castrista, tudo o que você falou da ilha foi adequado e correto, salvo algumas lacunas citadas pela Amanda, mas condizentes com o que o sistema de marketing dos Castros faz para mostrar uma outra face da ilha para quem é de fora.

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  5. A impressão que eu tive sobre imprensa, ė dd dd a programação é bem melhor que a daqui, sem propagandas, com programas de entrevistas muito bons. O conteúdo do jornal Granma é muito bom, inclusive tem edição em português e em outros idiomas.E acho até queos cubanos são muito mais informados que nós! Vc pode conversar tranquilamente de política! Não são alienadoscomo nós,n nã são facistas r nem racistas! Tb fui a dois CDR, um em Cienfuegos,num bairro chamado Hugo Chaves em que as casas foram construídas em parceria com o governo venezuelano. Td muto bonito e organizado. Conheci dois hospitais e inclusive fui atendida em um deles, o de Cienfuegos. O outro foi o hospital Calixto Garcia ao lado da Universidsde de Havana. Todos sem fila e sem pessoas amontoadas pelo chão esperando atendimento.Tb precisei vomorsr remédio e encontrei um deles na farmácia comum, muito barato!1,20 cup! Equivale a mais ou menos R$ 0,12. O outro não encontrei nessa farmácia e comprei numa farmácia do hotel Habana Livre!Um pouco mais caro mad tb barato.

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  6. Nenhum pais que não procurar tornar seu povo autos suficiente, em todos os aspectos, poder ser um pais bom. Um governo que mantem as pessoas como seus dependentes por tanto tempo, não pode ser uma nação de futuro para ninguém.
    Cuba foi propriedade particular de Fidel Castro por meio seculo.
    Quem mais tinha interesse em manter o Bloqueio, era o próprio Fidel, sendo ele o Dono do país.
    Nenhuma pessoa, nenhuma familia, nenhuma nação pode ser propriedade privada de ninguem. Todas as em que isso ocorreu,a nação só sofreu
    Cuba precisa de novos tempos.Abaixo Ideologias que só satisfazem aos desejos pessoais de uma pessoa ou um pequeno grupo.

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  7. Concordo..
    eu não tenho vontade de ir la.. e sinto muita pena dos Cubanos, por acharem que do jeito que eles vivem está bom.. eles sobrevivem.. não têm perspectivas de um futuro melhor.

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    1. Pena??? Devia ter pena de nós, brasileiros. Miseráveis e enganados o tempo todo.
      Adoro Cuba e o seu povo. Para falar qualquer coisa, é preciso conhecer.

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    2. Pena??? Devia ter pena de nós, brasileiros. Miseráveis e enganados o tempo todo.
      Adoro Cuba e o seu povo. Para falar qualquer coisa, é preciso conhecer.

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  8. Essa foi a reportagem mais delirante que já li sobre cuba . Já estive lá percorri cuba de ponta a ponta aquele lugar é uma enorme mentira em simplesmente tudo

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  9. Mesmo sem nunca ter visitado a ilha procuro saber tudo sobre ela bjos mais diversos pontos de vista. Uma coisa é clara p mim: os cubanos pagaram e ainda pagam um alto preço por nao terem deixado o país ser mais uma estrela na bandeira norte americana. O resto é consequencia de 50 anos de embargo.

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  10. Uai, Unknown, então conta pra nós a enorme mentira de Cuba.ja que você percorreu ela de ponta a ponta deve ter muitas coisas interessantes para nós informar. Vai conta, conta, não seja egoísta.

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  11. E ridiculo falar tantas coisas boas de cuba.aquilo para os cubanos e o inferno na terra.e nos brasileiros estamos indo para o mesmo caminho vejam tudo oque a cubana zoe martinez diz sobre cuba.yutube a midia e podre e mentirosa tudo para implantar esse regime comunista horrivel aqui.essa pessoa nao sabe oque fala.

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  12. A maior propaganda do sistema é o fato de tudo ser de "graça" ou subsidiado pelo estado mas com um salário médio de 60 dólares a população paga muito caro pelo seus "beneficios".

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  13. Os brasileiros que defendem Cuba e socialismo, odeiam o capitalismo opressor e os USA, mas não vivem como cubanos e nem querem morar lá. Vivem como americanos e consomem como capitalistas.

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